Apresentação

O objetivo principal da criação desse espaço é elaborar um diário de leitura e compartilhar os trabalhos de escrita que serão realizados no decorrer desta disciplina, como possibilidade de interação entre o aluno e os autores com quem trabalha, bem como entre as produções da universidade com a sociedade em geral.
O uso dessa ferramenta (blog) tem caráter pedagógico e, pode ser utilizada para o planejamento de novas formas de lidar com o registro de desempenho e da reflexão dos alunos, através da disponibilização dos trabalhos, bem como do relato de experiências, não apenas com nossos colegas de curso, mas também com a comunidade virtual, uma vez que o compartilhamento de informações permite a interação entre as pessoas e pode auxiliar na aprendizagem, característica da comunidade que aprende.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

UMA VISÃO ARGUMENTATIVA DA GRAMÁTICA: OS OPERADORES ARGUMENTATIVOS

KOCH, I. G. V. Argumentação e linguagem. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1993.


Resumo

O artigo fundamenta-se na tese de que a argumentatividade é intrínseca à própria língua, uma vez que a leitura da significação de uma frase se dá através de instruções codificadas de natureza gramatical, configurando-se assim o reconhecimento do valor retórico da própria gramática
[1]. Na semântica argumentativa os morfemas da gramática atuam como operadores argumentativos estabelecendo a seqüência do discurso de maneira a orientar o enunciado para a conclusão a que se deseja. No entanto, são tratados pela gramática tradicional, simplesmente como elementos relacionais, conectivos ou denotadores de inclusão, retificação, situação. O exame desses morfemas é feito através da escala argumentativa de Ducrot, que situa os argumentos de duas ou mais escalas orientadas para a mesma conclusão numa escala graduada com maior ou menor força, por exemplo, através do estabelecimento da hierarquia dos elementos e, do encadeamento dos elementos por meio de operadores. Alguns operadores são usados para: introduzir mais de um argumento a favor da conclusão (mesmo, até, inclusive, e, também, nem, tanto, como); como indicadores de mudança (já); como introdução de um argumento decisivo (aliás, além do mais); como esclarecedor de um enunciado anterior (isto é, quer dizer); para afirmação plena (tudo, todos, muito) ou negação (nada, nenhum, pouco). O operador argumentativo por excelência segundo Ducrot é o operador mas, na medida que, coordenando dois elementos semânticos, duas idéias são acrescentadas. Conclui-se que há necessidade de se rever o ensino da língua materna, com foco no estudo dos morfemas lexicais, gramaticais flexionais e derivacionais, uma vez que grande parte da força argumentativa do texto está na importância desses operadores e, estes passam totalmente despercebidos pelo aprendiz. Além disso, o ensino da língua deve trazer à consciência do usuário da língua o valor argumentativo dessas marcas, pois só assim ele poderá percebê-las no discurso do outro e utilizá-las no seu próprio discurso.

Por Ivete Politano de Almeida
[1] Tese defendida por Ducrot, Anscombre (semânticos franceses) e Vogt (Prof. Dr. em Lingúistica pela UNICAMP)

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